RENÚNCIA, PETKOVIC, LUTA CONTRA Z-4 E CONFUSÕES: A RETROSPECTIVA 2017 DO VITÓRIA

O ano de 2017 reservou fortes emoções para o torcedor do Vitória. E a maior parte delas compõe uma lista que o rubro-negro pretende esquecer. Contratações que não renderam o esperado, confusão fora de campo, exposição do elenco, bastidor político agitado e o jejum no Barradão marcaram a temporada do clube, que iniciou o ano com o ambicioso discurso de que brigaria por títulos nacionais, mas, de fato, precisou lutar até o último minuto para evitar o rebaixamento. De alento, ficou o bicampeonato baiano e a aprovação do novo estatuto, que prevê votação direta e proporcionalidade na composição do Conselho Deliberativo.

Para relembrar o que ocorreu de mais relevantes para o Vitória em 2017, o GloboEsporte.com preparou uma retrospectiva. São 12 temas que englobam o tumultuado ano rubro-negro.

1 – Contratações de baciada

O Vitória usou e abusou do mercado de transferências em 2017. Até o fim de janeiro, 14 novas peças desembarcaram na Toca do Leão. Renê Santos, Bruno Ramires, André Lima, Geferson, Alan Costa, Fred, Paulinho, Pineda, Pisculichi, Gabriel Xavier, Cleiton Xavier, Dátolo, Leandro Salino e Uillian Correia (contratado ainda na gestão de Raimundo Viana) firmaram vínculo com o Rubro-Negro no início da temporada. A intensa atividade levou o clube a criar painéis em tamanho real do presidente Ivã de Almeida e do diretor de futebol Sinval Vieira, com a frase “está contratado”, para que torcedores tirassem fotos como “novos reforços” no Barradão. Em setembro, mês em que a janela de contratações foi encerrada, o Leão já totalizava 27 novos jogadores. A quantidade não representou qualidade, e muitos deixaram o clube antes do encerramento da temporada.

Um painel com as imagens de Ivã de Almeida e Sinval Vieira foi confeccionado no início do ano (Foto: Bruno Barreto/Divulgação/EC Vitória)Um painel com as imagens de Ivã de Almeida e Sinval Vieira foi confeccionado no início do ano (Foto: Bruno Barreto/Divulgação/EC Vitória)

Um painel com as imagens de Ivã de Almeida e Sinval Vieira foi confeccionado no início do ano (Foto: Bruno Barreto/Divulgação/EC Vitória)

2 – Título da Copa do Brasil?

A diretoria encabeçada por Ivã de Almeida iniciou a temporada 2017 com discurso de gente grande. Diretor de futebol, Sinval Vieira colocou a Copa do Brasil como prioridade para o ano. Apesar do plano ousado, o Rubro-Negro não conseguiu passar da quarta fase do torneio. Acabou eliminado pelo Paraná, com uma derrota por 2 a 0 no Barradão e um empate sem gols no Durival Brito.

Vitória é eliminado da Copa do Brasil após empatar sem gols com o Paraná no Durival Brito

Vitória é eliminado da Copa do Brasil após empatar sem gols com o Paraná no Durival Brito

3 – Eliminação da Copa do Nordeste e confusão

Em 2017, houve overdose de Ba-Vi’s. Foram sete ao longo do ano, dois deles pelas semifinais da Copa do Nordeste. Após bater o Tricolor por 2 a 1 no Barradão, o time de Argel Fucks foi derrotado por 2 a 0 na Fonte Nova. A eliminação do Leão foi acompanhada de uma confusão na subida para o vestiário da Arena. Edson e Argel, que haviam se desentendido no jogo realizado no Barradão, voltaram a bater boca, o que desencadeou uma briga entre os jogadores e muita gritaria na zona mista. Exaltado, Argel gritou por Edson e convocou o volante do Bahia para uma briga [assista ao vídeo abaixo]. Seguranças dos dois times e policiais militares precisaram fazer uma espécie de cordão de isolamento no caminho até os vestiários.

Ba-Vi válido pela semifinal da Copa do Nordeste termina em confusão

Ba-Vi válido pela semifinal da Copa do Nordeste termina em confusão

4 – Demissão de Argel

Questionado no início da temporada, Argel Fucks se manteve no cargo sob atuações ruins do time, que, apesar disso, tinha bons resultados. O Vitória chegou a fazer o melhor início de temporada dos últimos dez anos, com aproveitamento superior a 80%, além de liderar com folga o Campeonato Baiano. O treinador rubro-negro quase foi demitido após um jogo ruim contra o Galícia, o lanterna do estadual, mas foi mantido devido ao pedido dos atletas, segundo o então diretor Sinval Vieira. Após a eliminação na Copa do Nordeste, no entanto, a diretoria optou pelo desligamento de Argel, que deixou o clube após 42 partidas realizadas entre 2016 e 2017, com 27 triunfos, cinco empates e dez derrotas. O aproveitamento total foi 68%.

Argel quase foi demitido após a partida contra o Galícia, pelo estadual

Argel quase foi demitido após a partida contra o Galícia, pelo estadual

5 – Novo estatuto

Principal promessa de campanha do grupo encabeçado por Ivã de Almeida e grande anseio dos sócios-torcedores, o novo estatuto do Vitória foi aprovado em Assembleia Geral Extraordinária realizada em abril nas dependências do clube. Além da eleição direta, o projeto antecipou o pleito de dezembro para setembro e definiu que o Conselho Deliberativo será formado pela proporcionalidade da votação das chapas que forem inscritas. O novo estatuto prevê ainda realização de segundo turno nas eleições caso nenhuma chapa conquiste mais de 50% dos votos válidos.

Estatuto do Vitória foi aprovado pelos sócios em Assembleia Geral Extraordinária (Foto: Maurícia da Matta / EC Vitória / Divulgação)Estatuto do Vitória foi aprovado pelos sócios em Assembleia Geral Extraordinária (Foto: Maurícia da Matta / EC Vitória / Divulgação)

Estatuto do Vitória foi aprovado pelos sócios em Assembleia Geral Extraordinária (Foto: Maurícia da Matta / EC Vitória / Divulgação)

6 – Título aiano invicto

Com a saída de Argel Fucks, Wesley Carvalho assumiu interinamente o comando da equipe profissional. E na primeira semana de trabalho, ele teve pela frente dois Ba-Vis válidos pela final do Campeonato Baiano. No primeiro clássico, o Vitória sofreu o gol na etapa inicial, viu o Bahia desperdiçar várias oportunidades e chegou ao empate no segundo tempo, com gol contra de Armero. A segunda e decisiva partida terminou em 0 a 0. Com a vantagem de ter feito a melhor campanha do estadual, o Vitória faturou o título de forma invicta pela terceira vez na história.

Em casa e invicto, Vitória empata com o Bahia em 0 x 0 e leva o título do Baianão

Em casa e invicto, Vitória empata com o Bahia em 0 x 0 e leva o título do Baianão

7 – Petkovic, o multitarefa

Petkovic chegou ao Vitória para assumir o papel de gerente de futebol. Mas, com pouco mais de uma semana no cargo, foi convencido pela diretoria a substituir Argel Fucks e acumular também as funções de técnico, em um modelo de manager. A vida como treinador não foi fácil. Tentou, sem êxito, mudar o estilo de jogo do time, entrou em rota de atrito com Willian Farias e não conseguiu bons resultados. Logo nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, Pet mudou de cargo novamente. Com o pedido de demissão de Sinval Vieira, ele virou diretor de futebol e anunciou Alexandre Gallo como treinador. Em julho, o sérvio foi demitido do Leão, debaixo de críticas de torcedores e com a imagem de ídolo arranhada.

Com a saída de Sinval Vieira, Petkovic assumiu o cargo de diretor de futebol do Vitória (Foto: Maurícia da Matta/Divulgação/EC Vitória)Com a saída de Sinval Vieira, Petkovic assumiu o cargo de diretor de futebol do Vitória (Foto: Maurícia da Matta/Divulgação/EC Vitória)

Com a saída de Sinval Vieira, Petkovic assumiu o cargo de diretor de futebol do Vitória (Foto: Maurícia da Matta/Divulgação/EC Vitória)

8 – Caso Carlos Eduardo e folha do elenco

O anúncio da contratação de Carlos Eduardo foi cercado de polêmica. Na época, um áudio em que o então diretor do departamento médico do clube, Gilson Meireles, se posicionava contra a contratação do meia foi vazado. Meireles falava sobre os riscos de Carlos Eduardo voltar a se lesionar gravemente durante a passagem na Toca do Leão, apesar dos exames não apontarem limitações para atividades em campo. O médico chegou a fazer uma comparação com Cleiton Xavier: “Não frequenta o DM, mas não rende”. Ao saber do ocorrido, Carlos Eduardo criticou as declarações de Meireles. Cerca de um mês depois, o médico pediu demissão. Outro caso de vazamento envolveu a folha salarial do elenco. Uma planilha com os vencimentos da cada jogador ganhou as redes sociais. Para apurar o ocorrido, o Vitória ingressou com uma representação criminal junto à Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), em Salvador.

Contratação de Carlos Eduardo pelo Vitória foi cercada de polêmica (Foto: Maurícia da Mata / Divulgação / E. C. Vitória)Contratação de Carlos Eduardo pelo Vitória foi cercada de polêmica (Foto: Maurícia da Mata / Divulgação / E. C. Vitória)

Contratação de Carlos Eduardo pelo Vitória foi cercada de polêmica (Foto: Maurícia da Mata / Divulgação / E. C. Vitória)

9 – Afastamento e renúncia de Ivã

Com o Vitória em queda livre no Campeonato Brasileiro e sob forte crise institucional, Ivã de Almeida pediu, em julho, uma licença não remunerada de 90 dias do cargo de presidente. O cartola deixou o posto acusado de gestão temerária, antecipação de salários e de provocar um rombo nas contas do clube. Agenor Gordilho, vice-presidente, assumiu interinamente o comando rubro-negro e, logo nas primeiras semanas, promoveu mudanças. Demitiu Petkovic e contratou Cléber Giglio como diretor de futebol, além de uma empresa para definir um plano de gestão para o clube. O comando da equipe profissional também passou por uma alteração. Vagner Mancini foi anunciado como substituto de Alexandre Gallo. Isolado politicamente, Ivã de Almeida renovou a licença em outubro e renunciou ao cargo de presidente no fim de novembro, após sócios aprovarem em Assembleia Geral Extraordinária a aprovação de um impeachment.

Ivã de Almeida denunciou ao cargo de presidente do Vitória no fim de novembro (Foto: Divulgação / E.C. Vitória)Ivã de Almeida denunciou ao cargo de presidente do Vitória no fim de novembro (Foto: Divulgação / E.C. Vitória)

Ivã de Almeida denunciou ao cargo de presidente do Vitória no fim de novembro (Foto: Divulgação / E.C. Vitória)

10 – Demissão de Gallo, contratação de Mancini

Uma das primeiras decisões de Agenor Gordilho enquanto presidente interino do Vitoria foi demitir Alexandre Gallo. O treinador passou pouco mais de um mês no clube, período em que participou de 11 partidas, com três triunfos, dois empates e seis derrotas, aproveitamento de 33%. Para substituir Gallo, Gordilho anunciou o retorno de Vágner Mancini, que recebia o time na penúltima colocação da Série A, com 12 pontos conquistados em 16 partidas realizadas. Sob o comando de Mancini, o Vitória cresceu de produção e se tornou um dos visitantes mais efetivos da competição, com 29 pontos conquistados fora de casa.

Vagner Mancini substituiu Alexandre Gallo no comando do Vitória (Foto: Maurícia da Mata / Divulgação / EC Vitória)Vagner Mancini substituiu Alexandre Gallo no comando do Vitória (Foto: Maurícia da Mata / Divulgação / EC Vitória)

Vagner Mancini substituiu Alexandre Gallo no comando do Vitória (Foto: Maurícia da Mata / Divulgação / EC Vitória)

11 – Má fase no Barradão

De santuário a algoz: Barradão foi motivo de trauma para rubro-negros em 2017 (Foto: Raphael Zarko)De santuário a algoz: Barradão foi motivo de trauma para rubro-negros em 2017 (Foto: Raphael Zarko)

De santuário a algoz: Barradão foi motivo de trauma para rubro-negros em 2017 (Foto: Raphael Zarko)

Trunfo no passado, o Barradão não teve o mesmo efeito para o Vitória em 2017. Jogar em casa foi sinônimo de desalento para o Rubro-Negro durante o Campeonato Brasileiro. Em 19 partidas realizadas, foram apenas três triunfos, o que rendeu ao Leão a pior campanha como mandante da Série A. Com o desempenho ruim, um torcedor decidiu apelar para o lado espiritual e jogou sal grosso no estádio. A estratégia não deu certo, e o Vitória seguiu até o fim da temporada sem mostrar eficácia em casa, o que rendeu o apelido “mamão com açúcar”.

12 – Rebaixado por alguns segundos e salvação pela Chapecoense

No Barradão, VItória é batido pelo Flamengo na última rodada do Campeonato Brasileiro (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)No Barradão, VItória é batido pelo Flamengo na última rodada do Campeonato Brasileiro (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

No Barradão, Vitória é batido pelo Flamengo na última rodada do Campeonato Brasileiro (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Na derradeira partida pelo Brasileirão, o Vitória levou seu torcedor aos limites da capacidade cardíaca. No Barradão, a equipe baiana tornou a mostrar que não segurava o psicológico: abriu 1 a 0 sobre o Flamengo, resultado que garantia a permanência na Série A, mas viu o adversário empatar no segundo tempo. No finalzinho do jogo, o desespero: Caíque Sá expulso e pênalti para a equipe carioca. O cronômetro marcada 50 minutos: penalidade convertida por Diego, que decretava a queda do Vitória para a Série B. O desespero da torcida foi intenso, mas durou pouco, apenas o tempo suficiente para que chegasse de Santa Catarina a notícia de que a Chape havia marcado o gol que rebaixava o Coritiba e garantia ao Rubro-Negro baiano uma vaga na Primeira Divisão de 2018. Foi no sufoco e com a ajuda da equipe catarinense que o Vitória encerrou o ano e garantiu o objetivo da temporada. Em campo, desabafo de atletas como Wallace, que destacava os erros cometidos pela diretoria na primeira metade do ano, e Fernando Miguel, que pedia que, após as eleições do próximo dia 13, a política fosse deixada de lado entre as quatro linhas rubro-negras.

Por: Thiago Pereira, Salvador

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