TÍTULO, TROCAS DE TÉCNICO, ESPERANÇA E FRUSTRAÇÃO:A RETRÔ DO BAHIA EM 2017

Decepção, alegria, tensão, esperança, frustração…. Impossível encontrar uma só palavra que descreva a temporada do Bahia em 2017. No primeiro semestre, os torcedores tricolores vibraram com o título da Copa do Nordeste, mas também lamentaram o vice do Campeonato Baiano e a eliminação precoce na Copa do Brasil. Na segunda parte da temporada, o time fez a torcida viver momento de tensão com a proximidade da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e também proporcionou a oportunidade de sonhar alto com a chance de alcançar uma vaga na Libertadores. Os vacilos no fim, porém, fizeram a equipe ficar longe desse objetivo. Mas o ano teve muito mais.

Para relembrar a temporada tricolor, o GloboEsporte.com preparou uma retrospectiva do que aconteceu de mais importante com o Bahia. Foram escolhidos doze momentos que marcaram o 2017 do clube.

Eliminação para o Paraná e frustração na Copa do Brasil

Bahia foi eliminado pelo Paraná na segunda fase da Copa do Brasil (Foto: Antônio More/Gazeta do Povo)Bahia foi eliminado pelo Paraná na segunda fase da Copa do Brasil (Foto: Antônio More/Gazeta do Povo)

Bahia foi eliminado pelo Paraná na segunda fase da Copa do Brasil (Foto: Antônio More/Gazeta do Povo)

A temporada começou com uma grande decepção. Ainda na segunda fase da Copa do Brasil, o Tricolor foi derrotado pelo Paraná por 2 a 0 e deus adeus à competição. Em campo, a equipe baiana não só frustrou o seu torcedor pela eliminação precoce, como encerrou ali uma invencibilidade de 11 jogos sem derrota na temporada. Com a saída da competição nacional, restava ao Tricolor recuperar o primeiro semestre com boas campanhas no Campeonato Baiano e na Copa do Nordeste. Algo que acabou acontecendo.

Time reserva e vice do Baianão

Tricolor perdeu título do Baianão para o Vitória (Foto: Maurícia da Matta/Divulgação/EC Vitória)Tricolor perdeu título do Baianão para o Vitória (Foto: Maurícia da Matta/Divulgação/EC Vitória)

Tricolor perdeu título do Baianão para o Vitória (Foto: Maurícia da Matta/Divulgação/EC Vitória)

Embora tenha demorado a deixar claro, o Bahia tinha como prioridade no primeiro semestre a conquista da Copa do Nordeste, competição que o clube não vencia havia quinze anos. Por isso, no Baianão, campeonato colocado em segundo plano, o Tricolor foi a campo muitas vezes com um time reserva. Mesmo assim, não teve dificuldades e terminou a primeira fase em segundo lugar. Na reta final, já com os titulares, a equipe baiana passou com tranquilidade pelo Fluminense de Feira até encontrar o Vitória na grande decisão.

Diante do maior rival, o Bahia deixou escapar um triunfo em casa com gol contra de Armero e, como tinha campanha inferior ao Vitória, passou a ter obrigação de vencer o adversário no jogo de volta, no Barradão. Fora de casa, o Tricolor não conseguiu furar o bloqueio rubro-negro e, com um 0 a 0, amargou o segundo lugar no Baianão.

Edson x Argel: “Cadê o machão?”

Argel Fucks e Edson protagonizam confusão em clássico da Copa do Nordeste (Foto: Ruan Melo)Argel Fucks e Edson protagonizam confusão em clássico da Copa do Nordeste (Foto: Ruan Melo)

Argel Fucks e Edson protagonizam confusão em clássico da Copa do Nordeste (Foto: Ruan Melo)

Antes de encarar o Sport na final da Copa do Nordeste, o Bahia teve o Vitória pelas semifinais da competição. Em campo, o Tricolor dominou o maior rival e terminou com grande triunfo por 2 a 0 no jogo de volta, classificando-se, então, para a final. Mas, fora das quatro linhas, o clima foi de tensão. Na saída de campo, o então técnico do Vitória, Argel Fucks, e o volante Edson bateram boca, o que iniciou uma confusão generalizada. Guto Ferreira, inclusive, perdeu os óculos no meio do bate-boca. Seguranças dos dois times e policiais militares precisaram fazer uma espécie de cordão de isolamento no caminho até os vestiários. Na confusão, Argel chegou a bradar: “ Cadê o Edson? O Edson que é machão? Cadê o machão aí?”

Ataque leve e título da Copa do Nordeste

Com vitória sobre o Sport, Bahia foi campeão do Nordestão após 15 anos (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)Com vitória sobre o Sport, Bahia foi campeão do Nordestão após 15 anos (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)

Com vitória sobre o Sport, Bahia foi campeão do Nordestão após 15 anos (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)

Com o time principal, o Bahia voou na Copa do Nordeste. O Tricolor teve a melhor campanha da primeira fase, com quatro vitórias e dois empates em seis jogos, e seguiu bem na segunda parte da competição. Na final, o adversário foi o Sport. Apesar de ter sido uma final dramática, em que o Bahia perdeu um “caminhão de gols” no jogo de volta, a conquista foi alcançada. Com gol de Edigar Junio, o Esquadrão bateu o rival pernambucano por 1 a 0 e se sagrou tricampeão do Nordeste.

O título serviu também para consolidar o “ataque leve” do Bahia, formado por Régis, Allione, Zé Rafael e Edigar Junio. O quarteto foi a solução encontrada pelo então técnico Guto Ferreira para a ausência de Hernane, que se machucou no primeiro jogo das semifinais do Nordestão. Juntos, os quatro rapidamente se entenderam em campo e foram determinantes para a conquista. Régis, inclusive, foi eleito o melhor jogador do Nordestão.

Liderança relâmpago no Brasileirão e campanha em casa

Bahia liderou o Brasileirão por uma rodada (Foto: Reprodução )Bahia liderou o Brasileirão por uma rodada (Foto: Reprodução )

Bahia liderou o Brasileirão por uma rodada (Foto: Reprodução )

O início do Bahia no Campeonato Brasileiro foi animador. Às vésperas de decidir a Copa do Nordeste, o Tricolor aplicou uma goleada por 6 a 2 sobre o Atlético-PR, na Fonte Nova, e chegou a liderar a competição por uma rodada. Embora o topo da tabela não tenha se mantido ao longo do Brasileirão, o bom rendimento em casa permaneceu. Em 32 partidas realizadas como mandante na temporada 2017, a equipe baiana alcançou 21 vitórias, cinco empates e seis derrotas, um aproveitamento de 70%.

Saída de Guto Ferreira e fracasso com Jorginho

Guto Ferreira deixou o Bahia no início do Brasileirão (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / E.C. Bahia)Guto Ferreira deixou o Bahia no início do Brasileirão (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / E.C. Bahia)

Guto Ferreira deixou o Bahia no início do Brasileirão (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / E.C. Bahia)

Acesso para a Primeira Divisão em 2016, título da Copa do Nordeste em 2017 e vice do Baianão. Esses foram os principais resultados de Guto Ferreira à frente do Bahia. Em alta principalmente com o título do Nordestão, Guto estava prestes a completar um ano no Bahia e se tornar o primeiro técnico desde Arthurzinho, em 2007, a alcançar a façanha pelo Tricolor. Mas o técnico decidiu aceitar a proposta do Internacional e mudar de clube em maio deste ano. No comando do Bahia, Guto Ferreira fez 57 jogos, com 31 vitórias, 15 empates e 11 derrotas, um aproveitamento de 63,1%.

Jorginho chegou ao Bahia com objetivo de alcançar grandes conquistas; técnico foi demitido após 14 jogos (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / E.C. Bahia)Jorginho chegou ao Bahia com objetivo de alcançar grandes conquistas; técnico foi demitido após 14 jogos (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / E.C. Bahia)

Jorginho chegou ao Bahia com objetivo de alcançar grandes conquistas; técnico foi demitido após 14 jogos (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / E.C. Bahia)

A saída de Guto Ferreira abriu as portas do Bahia para a contratação de Jorginho. Animado, o treinador chegou ao Bahia para dar continuidade ao trabalho de Guto e com o objetivo de alcançar grandes conquistas. Mas o modelo de jogo de Jorginho não engrenou e, sem conseguir sair da sombra do seu antecessor e muito menos alcançar bons resultados, o técnico acabou demitido após 14 jogos. O retrospecto foi de quatro vitórias, seis derrotas e quatro empates, um aproveitamento de 38,1%.

“Penca de Ba-Vis”

Tricolor enfrentou maior rival sete vezes na temporada; quatro em um espaço de 11 dias (Foto: Marcelo Malaquias/Divulgação/EC Bahia)Tricolor enfrentou maior rival sete vezes na temporada; quatro em um espaço de 11 dias (Foto: Marcelo Malaquias/Divulgação/EC Bahia)

Tricolor enfrentou maior rival sete vezes na temporada; quatro em um espaço de 11 dias (Foto: Marcelo Malaquias/Divulgação/EC Bahia)

O torcedor do Bahia não tem o que reclamar quando o assunto é confrontos contra o Vitória em 2017. Foram sete nessa temporada, quatro em um período de apenas 11 dias – fato único na trajetória de rivalidade entre as duas equipes. No final das contas, o saldo foi equilibrado entre os dois clubes. Foram dois triunfos para o Bahia (um na Copa do Nordeste e outro no Brasileirão), dois para o Vitória (na fase de grupos do Campeonato Baiano e outro no Nordestão), além de três empates. Depois de passar pelo Vitória nas semifinais da Copa do Nordeste, o Tricolor ficou com o título do Nordestão; o Rubro-Negro, por sua vez, conquistou o Baianão em cima do maior rival.

Preto Casagrande: interino/técnico/interino

Preto Casagrande foi efetivo a treinador, mas depois voltou a ser interino (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)Preto Casagrande foi efetivo a treinador, mas depois voltou a ser interino (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)

Preto Casagrande foi efetivo a treinador, mas depois voltou a ser interino (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)

A demissão de Jorginho iniciou um dos períodos mais confusos e turbulentos no Bahia. Inicialmente, a diretoria tricolor manteve o então auxiliar técnico Preto Casagrande no comando da equipe para uma espécie de teste. Mesmo com sob da torcida e rendimento aquém do esperado em campo, apesar de alguns bons resultados, o clube decidiu pela efetivação do técnico. Também pesou a favor de Preto o total respaldo dado pelos jogadores.

Mas o período de Preto como técnico durou pouco. Um mês depois de ser efetivado, o ex-jogador deixou o comando do time e voltou a ser auxiliar técnico. Como treinador principal, ele obteve cinco dos 12 pontos disputados. O aproveitamento geral foi de 41,6%.

Por: Ruan Melo, Salvador

 

 

 

Depois do jogo, nos vestiários, presidente do Bahia responde a provocação de Petros

Depois do jogo, nos vestiários, presidente do Bahia responde a provocação de Petros

Quando Preto Casagrande ainda era interino, o Bahia recebeu o São Paulo no dia seis de agosto, em jogo que foi marcado por muita confusão dentro e fora de campo. Tudo começou por um pênalti marcado a favor do São Paulo nos instantes finais do primeiro tempo. Assim que a etapa inicial terminou, começou o primeiro tumulto. No corredor de acesso ao gramado, houve empurrões e discussões entre os jogadores.

Após a partida, foi a vez do presidente Marcelo Sant’Ana entrar na confusão e responder ao volante Petros, que, segundo ele, havia chamado o Bahia de time pequeno. O presidente do Bahia então bradou: “Time pequeno é o Vitória, Juazeirense, Fluminense de Feira…” [veja no vídeo acima] Em uma postagem em uma rede social, Sant’Ana pediu desculpas pelo ocorrido. O dirigente também chegou a ser denunciado ao STJD por intimidar o árbitro do jogo, mas acabou absolvido.

Rodrigão, de esperança a decepção

Rodrigão foi devolvido ao Santos antes de término de vínculo com o Bahia (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia)Rodrigão foi devolvido ao Santos antes de término de vínculo com o Bahia (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia)

Rodrigão foi devolvido ao Santos antes de término de vínculo com o Bahia (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia)

Contratado para ser o “homem-gol” do Bahia, o centroavante Rodrigão teve um início promissor pelo clube, com quatro gols nos três primeiros jogos. Mas, aos poucos, as bolas na rede diminuíram e o atacante também caiu de rendimento em campo. Nos dez jogos seguintes, Rodrigão marcou só uma vez. Em baixa, o atacante também vivia sob críticas devido ao seu peso.

A gota d’água, porém, foi um vídeo divulgado às vésperas do clássico contra o Vitória, realizado no dia 22 de outubro. O atacante, que não havia sido relacionado para o jogo por conta de uma suposta lesão, apareceu em um vídeo divulgado por amigos em redes sociais festejando, dançando e tentando esconder uma garrafa de cerveja em uma das mãos. Rodrigão estava emprestado ao Bahia até o final da temporada, mas foi devolvido ao Santos antes do término do vínculo.

Retomada de rumo com Carpegiani e sonho de Libertadores

Chegada de Carpegiani marcou arrancada no Bahia (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)Chegada de Carpegiani marcou arrancada no Bahia (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

Chegada de Carpegiani marcou arrancada no Bahia (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

Foi com Paulo Cézar Carpegiani que o Bahia voltou a ter tranquilidade na temporada. Embora tenha chegado em uma situação complicada, a 12 rodadas para o fim do Brasileiro e com uma sequência dura pela frente, o treinador não demorou para encaixar o time e ganhar as graças da torcida. Com Carpegiani, o Tricolor venceu cinco jogos, empatou quatro e foi derrotado em outros três jogos, um aproveitamento de 52,8%.

Com pouco tempo de clube, o treinador não somente conseguiu acabar com o risco de rebaixamento, como fez a torcida sonhar mais alto. Perto do G-7, o Tricolor chegou a flertar com a zona de classificação para a Libertadores, mas bateu na trave: fechou o Brasileirão na 12ª posição, com 50 pontos – a Chape, o primeiro time do G-8, tem 54 pontos.

Jogadores em alta e assédio de outros clubes

Jean despertou interesse do São Paulo (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)Jean despertou interesse do São Paulo (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)

Jean despertou interesse do São Paulo (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)

Fez parte da temporada do Bahia a assédio de outros clubes aos jogadores tricolores. No início do ano, o meia Régis foi alvo do Internacional. Durante o Campeonato Brasileiro, foi a vez de Zé Rafael, Renê Junior, Jean e Juninho Capixaba terem os nomes ventilados em outras equipes. O Bahia, porém, conseguiu manter o grupo até o fim da temporada. Há eleições para presidente marcadas para o próximo dia 9, que serão decisivas para a definição do futuro dos atletas.

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